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28
Ago/25

Pix parcelado conquista brasileiros como forma de dividir pagamentos

Modalidade já é utilizada por 31% da população e deve ganhar versão oficial do Banco Central em setembro

A poucos meses de se tornar uma funcionalidade oficial do Banco Central (BC), o Pix parcelado já está entre as formas de pagamento preferidas dos brasileiros. Segundo a pesquisa “Jornada de Crédito: como consumidores e executivos avaliam oportunidades e riscos”, divulgada este ano pela Matera, 53% dos entrevistados recorreram à modalidade nos dois meses anteriores ao levantamento. 

Na prática, o Pix parcelado funciona como uma espécie de ponte entre o lojista e a instituição financeira que oferece o crédito ao consumidor. A operação deve ser padronizada pelo BC até setembro. Para as empresas, uma alternativa para oferecer essa e outras modalidades é por meio de um hub de pagamento, plataforma que centraliza diferentes soluções e conecta o e-commerce a múltiplos provedores.

Ainda segundo a pesquisa, 31% dos brasileiros já utilizaram o recurso, percentual próximo ao daqueles que optaram por financiamento (35%) ou cheque especial (38%). A adesão à modalidade está ligada à capacidade de ampliar o acesso ao crédito e entre os motivos mais citados para a sua contratação estão emergências pessoais e o pagamento de contas e compras à vista.

Quando observadas as instituições que oferecem o serviço, os bancos digitais lideram com folga: 73% dos entrevistados disseram ter contratado o Pix parcelado por esse canal, enquanto 32% o fizeram por meio de bancos tradicionais e 26% por empresas de pagamentos e serviços financeiros.

O BC destaca que, com a chegada da versão oficial do Pix parcelado, a operação funcionará como uma alternativa aos cartões. O valor total será transferido imediatamente ao recebedor, sem necessidade de antecipação, enquanto o pagador poderá quitar em parcelas. O objetivo é reduzir custos para lojistas e oferecer mais uma ferramenta de inclusão financeira para os consumidores.

Para a diretora de Payments & Banking da Vindi, Monisi Costa, o recurso representa uma virada de chave para o varejo digital ao combinar a instantaneidade do Pix com a possibilidade de parcelamento, algo que antes era restrito aos cartões de crédito.

Isso representa inclusão financeira para milhões de consumidores que não têm cartão ou limite disponível, e que agora podem comprar em parcelas com a mesma facilidade e segurança que já conhecem no Pix”, afirma.

Para o e-commerce, segundo ela, o impacto é direto em KPIs (indicadores-chave de desempenho) estratégicos, como o aumento da taxa de conversão, maior ticket médio e menor fricção no checkout. “Ele ajuda a capturar vendas que antes eram perdidas por falta de opção de pagamento viável”, acrescenta.

Experiência ainda pode melhorar

Apesar da popularidade crescente, a experiência do usuário com o Pix parcelado ainda apresenta desafios. A pesquisa da Matera identificou que 32% dos consumidores consideram que informações importantes, como taxas e prazos, aparecem tardiamente na jornada de contratação. Outros 21% apontaram falta de personalização nos processos, e 19% disseram ter dificuldade para resolver dúvidas com atendentes digitais ou chats.

Outro ponto de atenção está na compreensão dos custos: apenas 38% afirmaram saber qual é a taxa de juros cobrada na operação com Pix parcelado. A Serasa alerta que é essencial avaliar as condições antes de optar por esse tipo de pagamento, especialmente quando usado para quitar dívidas. 

A Serasa explica que, em alguns casos, como em dívidas muito altas ou juros elevados, pode ser mais vantajoso negociar diretamente com o credor ou utilizar plataformas de negociação. 

Nova funcionalidade do Pix mira capital de giro mais acessível

Além do Pix parcelado, o Banco Central anunciou recentemente uma nova solução: o Pix em Garantia. Prevista para 2026, a funcionalidade permitirá que empresas usem seus recebíveis futuros de Pix como garantia em operações de crédito, ampliando o acesso a capital de giro com menos burocracia e custo.

Monisi explica que, para quem opera no e-commerce, a inovação pode significar um acesso muito mais rápido e barato a capital de giro, impulsionando a capacidade de reinvestir em estoque, mídia, logística ou inovação.

Hoje, muitos lojistas têm volumes expressivos transacionados via Pix, mas enfrentam limitações de crédito. Com essa modalidade, o Pix se torna uma alavanca financeira. Estamos falando de mais autonomia, menos dependência bancária e um novo patamar de liquidez para o varejo digital”, avalia.

Fonte:ABC FOCADO EM VOCÊ
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